O quadro se caracteriza pela inflamação da bursa, uma pequena bolsa de líquido sinovial presente na articulação do joelho.
Esta bolsa tem como principal função controlar o atrito entre os tendões, impedindo o seu desgaste e prevenindo lesões. Além disso, possui a importante responsabilidade de evitar o contato direto entre os ossos que se encontram na articulação[2]Le Manac’h AP, Ha C, Descatha A, Imbernon E, Roquelaure Y. Prevalence of knee bursitis in the workforce. Occupational medicine. 2012 Dec 1;62(8):658-60..
A bursite no joelho pode ser aguda, sendo esta a mais comum, ou crônica, geralmente associada a doenças como artrite reumatoide, por exemplo.
Em ambos os casos o acompanhamento médico é crucial. O tratamento pode ser realizado de maneira conservadora através de medicamentos e fisioterapia. Porém, em situações mais graves, a cirurgia de retirada da bursa pode ser realizada.
Ao longo deste artigo faremos uma apresentação aprofundada do distúrbio, apontando suas causas, sintomas e formas de tratamento.
A bursite no joelho é a inflamação das bolsas, também chamadas bursas, da articulação do joelho.
O distúrbio pode afetar as mais diversas bursas presentes na região, sendo a bursite anserina a mais comum, o que faz da doença conhecida também como pata-de-ganso[3]Chatra PS. Bursae around the knee joints. Indian Journal of Radiology and Imaging. 2012 Jan;22(01):27-30..
Locais comuns de bursite no joelho incluem:
A origem da bursite no joelho está relacionada ao atrito excessivo na articulação. Diversas causas podem estar por trás desse tipo de problema.
Na maioria das vezes a ocorrência da doença tem relação com excesso de atividades físicas, esportes como corrida, futebol, voleibol dentre outros[4]Uson J, Aguado P, Bernad M, Mayordomo L, Naredo E, Balsa A, Martin-Mola E. Pes anserinus tendino-bursitis: what are we talking about?. Scandinavian journal of rheumatology. 2000 Jan 1;29(3):184-6..
Da mesma maneira, indivíduos com sobrepeso podem acabar desenvolvendo o quadro devido a maior exigência da articulação.
Dentre as causas mais comuns tem-se:
Além da dor comum aos casos de bursite, o aumento da sensibilidade e o edema são frequentes. A redução da amplitude dos movimentos, surgimento de calor e dificuldades nas caminhadas também são sintomas normais[5]Draghi F, Corti R, Urciuoli L, Alessandrino F, Rotondo A. Knee bursitis: a sonographic evaluation. Journal of ultrasound. 2015 Sep;18(3):251-7..
Os sinais da doença podem variar de pessoa para pessoa. São ainda progressivos conforme a gravidade do problema.
A depender do tipo de bursite no joelho, os sintomas podem aparecer em diferentes localizações, conforme descrito anteriormente.
Em muitos casos a dor vai e vem, se intensificando em situações de maiores exigências sobre a articulação.
Exame | Diagnóstico de bursite no joelho |
---|---|
Exame Físico | Avalia o tamanho, forma e localização da bursa. Afasta outras lesões tendíneas, articulares ou musculares do joelho |
Raio X | Revela anormalidades ósseas e articulares, como depósitos de cálcio ou esporões ósseos |
Ultrassom | Mostra acúmulo de líquido na bursa |
Ressonância Magnética | Fornece imagens detalhadas da bursa e estruturas circundantes |
Tomografia Computadorizada | Revela características da bursa, como tamanho e forma |
Após o diagnóstico da bursite, o médico recomendará ao paciente o melhor tratamento para o seu caso, sempre considerando a localização e a progressão dos sintomas e da alteração[6]Roland GC, Beagley MJ, Cawley PW. Conservative treatment of inflamed knee bursae. The Physician and Sportsmedicine. 1992 Feb 1;20(2):66-77..
O tratamento conservador é o primeiro a ser indicado. A grande maioria dos casos se resolve por este tipo de intervenção.
Seguem algumas terapêuticas sugeridas.
Algumas dicas podem ajudar no dia a dia desses pacientes. A aplicação de compressas de gelo é um ótimo recurso, por controlar a inflamação e assim promover alívio da dor.
O repouso também pode ajudar, pois o uso em excesso da articulação pode acabar potencializando a resposta imunológica.
O uso de medicamentos é muito comum nesses casos. De maneira alguma tal terapia deve ser realizada sem auxílio médico, pois tal atitude coloca em risco a saúde do paciente, tornando-o vulnerável a efeitos adversos.
O tratamento farmacológico visa controlar os sintomas, em especial o processo inflamatório agudo, recuperando pelo menos parcialmente a qualidade de vida do acometido.
Em casos de infecções bacterianas, o uso de antibiótico pode ser prescrito.
Dentre os medicamentos mais utilizados, estão:
Paracetamol | Usado para reduzir a dor e a febre |
Dipirona | Analgésico para dor muscular |
Prednisona | Usado por via oral, para alívio de inflamação e bursite recorrente |
Ibuprofeno | Usado para reduzir a dor, inflamação e rigidez |
Naproxeno | Usado para reduzir a dor, inflamação e rigidez |
Celecoxibe | Usado para reduzir a inflamação e a dor |
Diclofenaco | Usado para reduzir a dor, inchaço e rigidez |
Codeína | Usado para reduzir a dor leve a moderada |
Tramadol | Usado para reduzir a dor moderada a intensa |
Sempre que se fala em distúrbios articulares é necessário lançar mão da fisioterapia. Tal tratamento contribui para o controle da inflamação, redução da dor e para a recuperação das funções articulares normais do indivíduo.
Para casos mais graves, onde nenhuma das alternativas anteriores se mostrou eficaz, podem ser indicados os tratamentos invasivos.
Os mais comuns dentre estes são a injeção de corticoide, a aspiração e as cirurgias.
A terapia com injeção de corticoides é uma forma de tratamento usada para reduzir a inflamação e a dor no joelho causada pela bursite. Este tipo de terapia envolve a injeção de um corticosteroide na área afetada.
Os benefícios da terapia de injeção de corticóide para bursite do joelho incluem:
1. Alívio rápido e eficaz: As injeções de corticoides são conhecidas por fornecer alívio rápido e eficaz da dor e inflamação associadas à bursite.
2. Efeitos duradouros: As injeções de corticoides proporcionam alívio da dor a longo prazo do que outros tratamentos, como medicamentos orais ou fisioterapia.
3. Redução da necessidade de cirurgia: Ao reduzir a inflamação e melhorar a mobilidade das articulações, as injeções de corticoides muitas vezes podem reduzir a necessidade de intervenção cirúrgica.
4. Mobilidade melhorada: as injeções de corticoides podem ajudar a melhorar a mobilidade articular, permitindo um movimento mais fácil do joelho e reduzindo o risco de novas lesões.
Efeitos adversos | Descrição |
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Dor e inchaço no local da injeção | A própria injeção pode causar dor e/ou inchaço no local da injeção. |
Infecção | A infecção no local da injeção é possível, especialmente se a injeção não for feita corretamente. |
Danos nos nervos | Existe o risco de danos nos nervos no local da injeção, o que pode causar dormência ou formigamento. |
Adelgaçamento da pele | As injeções de corticoides podem causar adelgaçamento da pele no local da injeção. |
Osso enfraquecido | Existe o risco de a injeção de corticoide enfraquecer o osso no local da injeção. |
Ao contrário da terapia com corticoide, na aspiração é realizada a retirada de um componente do organismo. Para realização do tratamento, é inserida uma agulha na bursa afetada, pela qual se remove o excesso de líquido sinovial.
A cirurgia raramente é necessária. O procedimento é realizado com a finalidade de retirar por completo a bursa inflamada. Este tipo de tratamento é indicado majoritariamente para casos crônicos da doença.
A articulação do joelho é constantemente exigida, o peso do corpo é completamente absorvido por ela, sendo esta a responsável por transmiti-lo para os segmentos superiores do mesmo.
Por causa disso, é sempre válido, mesmo em situações de saúde, tomar atitudes de prevenção.
Seguem algumas dicas.
São hábitos simples, mas que certamente podem fazer uma grande diferença.
↑1 | Canoso JJ. Knee bursitis. Monografía en internet]. Walthman (MA): UpToDate. 2016. |
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↑2 | Le Manac’h AP, Ha C, Descatha A, Imbernon E, Roquelaure Y. Prevalence of knee bursitis in the workforce. Occupational medicine. 2012 Dec 1;62(8):658-60. |
↑3 | Chatra PS. Bursae around the knee joints. Indian Journal of Radiology and Imaging. 2012 Jan;22(01):27-30. |
↑4 | Uson J, Aguado P, Bernad M, Mayordomo L, Naredo E, Balsa A, Martin-Mola E. Pes anserinus tendino-bursitis: what are we talking about?. Scandinavian journal of rheumatology. 2000 Jan 1;29(3):184-6. |
↑5 | Draghi F, Corti R, Urciuoli L, Alessandrino F, Rotondo A. Knee bursitis: a sonographic evaluation. Journal of ultrasound. 2015 Sep;18(3):251-7. |
↑6 | Roland GC, Beagley MJ, Cawley PW. Conservative treatment of inflamed knee bursae. The Physician and Sportsmedicine. 1992 Feb 1;20(2):66-77. |
Médico especialista em Ortopedia, Traumatologia e Acupuntura.
Médico Colaborador do Grupo de Dor do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP).
Membro Titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia (SBOT).
Atuação na Área Clínica e de Ensino Médico.
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